Terbutalina como agente tocolítico na gestação: uma revisão sobre riscos e benefícios
a review of risks and benefits
Palavras-chave:
Terbutaline, Pregnancy, Preterm labor, Tocolytics, Maternal HealthResumo
Introdução: O trabalho de parto prematuro representa uma das principais causas de morbimortalidade neonatal, estando associado a complicações respiratórias, neurológicas e infecciosas que impactam diretamente a saúde do recém-nascido. Nesse contexto, a tocólise é utilizada como estratégia terapêutica para retardar temporariamente o parto prematuro, possibilitando intervenções neonatais importantes. Entre os agentes utilizados destaca-se a terbutalina, um agonista adrenérgico que promove relaxamento da musculatura uterina. Apesar de sua eficácia na redução das contrações uterinas, o uso da medicação apresenta riscos maternos e fetais importantes, principalmente quando administrada de forma prolongada. Protocolos obstétricos atuais recomendam cautela na utilização da terbutalina devido à ocorrência de efeitos adversos cardiovasculares maternos e alterações fetais transitórias. Objetivos: Relatar os principais benefícios terapêuticos e os riscos maternos e fetais associados ao uso da terbutalina como agente tocolítico durante a gestação, destacando sua aplicabilidade no manejo do trabalho de parto prematuro. Metodologia: Trata-se de um estudo de revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa e caráter descritivo, desenvolvido com o objetivo de analisar evidências científicas sobre os benefícios terapêuticos, os riscos maternos e fetais associados ao uso da terbutalina como agente tocolítico no trabalho de parto prematuro. A busca bibliográfica foi realizada no mês de abril e maio, utilizando artigos científicos, protocolos assistenciais e documentos institucionais publicados entre os anos de 2020 e 2026. A pesquisa ocorreu nas bases de dados PubMed Central e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), além de documentos técnicos e protocolos publicados pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), pelo Ministério da Saúde, com destaque para o Manual de Gestação de Alto Risco, e materiais institucionais da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG). Para o levantamento bibliográfico, foram utilizados os descritores: “terbutalina”, “tocólise”, “gestação” e “trabalho de parto prematuro”, combinados entre si conforme pertinência temática. Como critérios de inclusão, foram considerados estudos publicados nos idiomas português e inglês, disponíveis na íntegra, que abordassem a utilização da terbutalina como agente tocolítico e suas repercussões maternas e fetais. Excluíram-se estudos duplicados, publicações sem relação direta com o objetivo proposto e materiais com insuficiência de dados clínicos relevantes. Inicialmente, foram identificadas dez publicações relacionadas ao tema, sendo selecionados cinco estudos por atenderem aos critérios de elegibilidade estabelecidos. Posteriormente, realizou-se leitura para interpretação do conteúdo, organizando os achados em categorias temáticas relacionadas aos benefícios terapêuticos, riscos maternos e repercussões fetais do uso da terbutalina durante a gestação. Resultados: Os estudos analisados demonstraram que a terbutalina apresenta eficácia no retardamento temporário do trabalho de parto prematuro, permitindo a administração de corticosteroides antenatais e favorecendo a maturação pulmonar fetal. Entretanto, foram observados importantes efeitos adversos maternos, como taquicardia, arritmias cardíacas, hipocalemia, hiperglicemia e edema pulmonar, especialmente em casos de uso prolongado. No âmbito fetal, os principais efeitos relatados incluem taquicardia fetal e hipoglicemia neonatal transitória. Os estudos também reforçaram a necessidade do uso racional da tocólise, priorizando monitorização materno-fetal contínua durante a administração da medicação. Além disso, os materiais analisados evidenciaram que outros agentes tocolíticos, como nifedipina, apresentam perfil de segurança mais favorável em comparação à terbutalina. Considerações finais: Conclui-se que a terbutalina apresenta relevância clínica no manejo temporário do trabalho de parto prematuro, especialmente por possibilitar o adiamento do parto e favorecer intervenções obstétricas essenciais, como a administração de corticosteroides antenatais para maturação pulmonar fetal, contribuindo potencialmente para melhores desfechos neonatais. Entretanto, os achados evidenciam que sua utilização não está isenta de riscos, destacando-se importantes repercussões maternas e fetais, sobretudo relacionadas aos efeitos cardiovasculares e metabólicos decorrentes do uso prolongado ou inadequado da medicação. Diante disso, reforça-se a necessidade de utilização criteriosa da terbutalina, fundamentada em protocolos clínicos atualizados, monitorização materno-fetal contínua e avaliação individualizada da relação risco-benefício. Ademais, considera-se fundamental a ampliação de estudos sobre a segurança e efetividade comparativa dos agentes tocolíticos, visando subsidiar práticas assistenciais mais seguras e baseadas em evidências no cuidado obstétrico.
Palavras-Chave: Terbutalina. Gestação. Trabalho de parto prematuro. Tocolíticos. Saúde materna.
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