REGISTROS DE INFECÇÃO POR Trypanosoma spp. EM TAMBAQUIS (Colossoma macropomum), RÃS (Leptodactylus fuscus e L. petersii) E CARRAPATOS (Amblyomma E Rhipicephalus) DE CAPIVARAS (Hydrochoerus hydrochaeris): RELATOS DE UMA SÉRIE DE CASOS

Autores

  • Nathalí Fabricante Alves Acadêmica | Afya Centro Universitário de Ji-Paraná
  • Jerônimo Vieira Dantas Filho Orientador | Afya Centro Universitário de Ji-Paraná

Palavras-chave:

Animais silvestres, Hemoparasitoses, Saúde única, Zoonoses

Resumo

Este estudo investigou a ocorrência do hemoparasito Trypanosoma spp. em três grupos de animais associados a 12 pisciculturas na região central de Rondônia, Brasil: tambaquis cultivados (Colossoma macropomum), rãs silvestres (Leptodactylus fuscus e L. petersii) e capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris). A pesquisa, conduzida nas estações chuvosa e seca, revelou um cenário eco-epidemiológico complexo. Foram detectadas formas tripomastigotas de  Trypanosoma spp. no sangue de todos os grupos, indicando uma circulação parasitária multi-hospedeiro no ambiente das pisciculturas. A análise de Anomalias Nucleares Eritrocitárias (ANEs) mostrou respostas sazonais distintas: nos tambaquis, as anomalias relacionadas à morte celular (apoptose e picnose) aumentaram significativamente no período seco, sugerindo maior estresse fisiológico. Já nas rãs, os danos genotóxicos (micronúcleos) e a morte celular foram mais frequentes na estação chuvosa. As infecções geralmente se apresentaram de forma subclínica, sem afetar drasticamente a condição corporal externa dos animais. No entanto, evidências da literatura, citadas na discussão, indicam que mesmo infecções de baixa intensidade podem induzir anemia e comprometer o desempenho fisiológico dos hospedeiros a longo prazo, tornando-os mais vulneráveis a outros patógenos e estresses. A presença do parasito em hospedeiros silvestres (rãs e capivaras) que coexistem com os tanques de cultivo destaca a interconexão entre a
produção aquícola e o ecossistema local. A transmissão provavelmente ocorre por diferentes vetores, como sanguessugas para peixes e insetos hematófagos para anfíbios e mamíferos. Conclui-se que a disseminação de Trypanosoma spp.
representa um desafio sanitário emergente para a piscicultura, principal atividade econômica analisada. O estudo recomenda a adoção de uma abordagem integrada "One Health" (Uma Só Saúde), com monitoramento sistemático, investigação de
vetores e implementação de medidas de manejo que considerem a saúde dos animais de produção, da fauna silvestre e do ecossistema como um todo, visando à sustentabilidade produtiva da região.

Acesso ao Repositório Institucional: PDF

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Publicado

2026-02-07

Edição

Seção

TCC - Curso de Medicina Veterinária