TOXOPLASMOSE OCULAR ADQUIRIDA: O FIM DA HEGEMONIA DO REGIME CLÁSSICO?

Autores

  • Bianca Sfreddo Cidade Matos Acadêmica | Afya Centro Universitário de Ji-Paraná
  • Ian Patrick de Matos Emerick Acadêmico | Afya Centro Universitário de Ji-Paraná
  • Jerônimo Vieira Dantas Filho Coorientador | Afya Centro Universitário de Ji-Paraná
  • Adriana Cristina Dutra Capila Orientadora Médica | Afya Centro Universitário de Ji-Paraná

Palavras-chave:

Farmacologia, Oftalmologia, Protozoário Toxoplasma gondii, Toxoplasmose ocular

Resumo

Esta revisão integrativa teve como objetivo sintetizar e comparar as evidências científicas sobre as opções farmacológicas disponíveis para o tratamento da toxoplasmose ocular adquirida em pacientes adultos imunocompetentes, com foco na eficácia, segurança e adesão terapêutica, questionando a hegemonia do regime clássico. A toxoplasmose ocular é uma das principais causas de uveíte posterior infecciosa no mundo, com alta prevalência na América do Sul, especialmente no Brasil, onde a doença é hiperendêmica e responsável por significativa perda visual. Para responder às lacunas existentes, realizou-se uma busca sistemática nas bases PubMed, SciELO, Lilacs e Scopus, incluindo estudos publicados entre 2015 e 2025. Foram analisados ensaios clínicos, estudos observacionais e revisões sistemáticas, utilizando critérios de inclusão e exclusão rigorosos. Os resultados indicaram que o regime clássico (pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico), associado a corticosteroides, mantém eficácia, mas apresenta limitações importantes, como efeitos adversos hematológicos, toxicidade hepática e necessidade de monitoramento laboratorial, fatores que comprometem a adesão. Alternativas como trimetoprima-sulfametoxazol (TMP-SMX), também associada a corticosteroides, demonstraram eficácia comparável, perfil de segurança mais favorável e maior adesão, além de vantagens econômicas e logísticas, sendo promissoras tanto na fase aguda quanto na profilaxia de recidivas. Terapias intravítreas, como clindamicina associada à dexametasona, surgem como opção para casos refratários ou com contraindicação ao tratamento sistêmico, apresentando bons resultados funcionais e menor risco de toxicidade sistêmica. Conclui-se que a hegemonia do regime clássico está sendo desafiada por alternativas como TMP-SMX, que oferecem melhor equilíbrio entre eficácia, segurança e custo. A escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando gravidade da doença, localização das lesões, perfil do paciente e risco de recorrência. Evidencia-se a necessidade de novos estudos comparativos robustos para consolidar diretrizes clínicas baseadas em evidências, especialmente em regiões de alta endemicidade como o Brasil.

Acesso ao Repositório Institucional: PDF

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Publicado

2026-02-07

Edição

Seção

TCC - Curso de Medicina