Saúde Indígena e Transição Nutricional: Análise Preliminar do Diabetes Mellitus no Povo Amondawa, Rondônia, Brasil
Resumo
Este estudo apresenta uma investigação transversal, de métodos mistos, sobre o diabetes mellitus (DM) entre a comunidade indígena Amondawa, localizada na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, no estado de Rondônia, Brasil. A pesquisa integra abordagens quantitativas e qualitativas para estimar a prevalência do DM e identificar fatores socioculturais e comportamentais associados. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas, avaliações clínicas e antropométricas, além de análises de glicemia capilar e hemoglobina glicada (HbA1c). Os resultados revelam variações significativas no peso corporal, circunferência abdominal e índice de massa corporal entre os sexos e faixas etárias, sugerindo o início de um processo de transição nutricional caracterizado pelo aumento do consumo de alimentos industrializados e pela redução da atividade física. Esses padrões estão em consonância com tendências nacionais observadas em outros grupos indígenas, onde a prevalência de DM varia de 3% a 24,9%, refletindo diferentes graus de influência urbana e aculturação alimentar. O estudo também destaca a importância da coleta de dados culturalmente sensível, desenvolvida em colaboração com lideranças locais e intérpretes, assegurando rigor ético e intercultural. Além de seu valor epidemiológico, a pesquisa evidencia os determinantes sociais e ambientais que moldam a saúde indígena, como ameaças territoriais, insegurança alimentar e acesso limitado aos serviços de saúde. Ao combinar perspectivas biomédicas e culturais, o estudo contribui para o desenvolvimento de estratégias de saúde diferenciadas e reforça a necessidade de políticas públicas que integrem os saberes tradicionais à prevenção e ao manejo das doenças crônicas entre os povos indígenas da Amazônia.
Palavras-chave: Diabetes Mellitus, Saúde dos povos originários, Transição nutricional