Qualidade da Água em Poços Artesianos Urbanos e Rurais no Interior de Rondônia: Contaminação Fecal, Cianotoxinas e Microplásticos no Contexto da Vulnerabilidade Sanitária
Resumo
A pesquisa avaliou a qualidade microbiológica, físico-química e a presença de contaminantes emergentes na água de poços artesianos urbanos e rurais na região central da Amazônia (Rondônia). Foram analisados 18 poços em quatro municípios (Ji-Paraná, Nova União, Jaru e Monte Negro), abrangendo áreas urbanas e rurais. As amostras foram submetidas a análises microbiológicas (coliformes, E. coli, Enterococcus), físico-químicas (pH, TDS, temperatura) e toxicológicas (microcistina-LR e microplásticos). Os resultados indicaram uma disparidade marcante entre as áreas avaliadas: os poços urbanos apresentaram contaminação microbiológica severa, com altos níveis de E. coli e coliformes totais, além da presença de microcistina-LR acima do limite legal (3,5 μg/L) e microplásticos visíveis (14 partículas/L). Em contraste, os poços rurais demonstraram excelente qualidade, sem detecção de microrganismos patogênicos, toxinas ou microplásticos. As diferenças evidenciam a vulnerabilidade sanitária associada ao crescimento urbano desordenado e à ausência de saneamento básico adequado. Os achados ressaltam a necessidade de ações integradas de vigilância ambiental e de investimentos em infraestrutura sanitária para garantir o direito à água potável segura e a sustentabilidade dos recursos hídricos na Amazônia.
Palavras-chave: Amazônia ocidental, contaminação hídrica, poços artesianos